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A Defesa de Portugal 2015

94 tos dos valores colegiais impressos no Código de Honra do Aluno, tais como a generosidade e a camaradagem, ao mesmo tempo que assumem a defesa do património cultural e histórico da sua Pátria, intervenientes e participativos nas responsabilidades sociais que a cada cidadão compete. O projeto educativo do CM materializa aspetos fundamentais no que diz respeito às exigências da sua comunidade educativa e à prioridade estratégica que a escola estabelece para a sua ação educativa, designadamente pela afirmação das competências da Liderança e Cidadania, no respeito pela apreciação dos recursos humanos e materiais que atualmente dispõe. Para além de ministrar os currículos definidos pelo Ministério da Educação e Ciência, atividades de complemento curricular e uma oferta própria, de onde se destacam a Ginástica, Esgrima, Equitação, Natação/Pentatlo, Jujutsu, Tiro, Râguebi, Voleibol, Modelismo e Jogos de Simulação, Microprocessadores e Robótica, Basquetebol, Teatro, Futebol, Aeromodelismo e Iniciação ao Mandarim, o CM considera determinante o reforço de uma verdadeira “cultura de escola”, assente numa gestão curricular interdisciplinar, numa lógica permanente de afirmação de um projeto educativo de matriz militar, diferenciador e valorativo da realidade do sistema de ensino português. Instituto de Odivelas Criado por decreto real em 1899 por proposta do Infante D. Afonso, irmão do rei D. Carlos, o IO iniciou a sua atividade a 14 de janeiro de 1900 e, localizado em Odivelas, rapidamente se tornou uma referência na educação no nosso país. Assente no ensino diferenciado feminino, desde logo se destacou por um projeto educativo diferenciado e bem vincado, sempre muito avançado para a época. Realçam-se naquele projeto educativo, o ensino de línguas estrangeiras, da música, as aulas de economia doméstica, as aulas de culinária, as aulas de higiene e puericultura e a ginástica sueca, introduzida em Portugal através do IO por uma professora suíça. Tais ensinamentos eram transmitidos em paralelo com os valores da família, os valores religiosos e morais, éticos e patrióticos. Enquanto escola militar de ensino, o IO assumiu a sua missão de serviço à Pátria formando jovens preparadas e motivadas para o exercício de uma cidadania responsável, que permitisse o progresso e a paz social, bem como a defesa da sociedade portuguesa assente em ideais alicerçados no reconhecimento dos direitos humanos, igualdade de oportunidades e da solidariedade. Ao longo da sua história secular, saíram dos bancos desta escola, mulheres distintas e pioneiras nas mais diferentes áreas da sociedade, que vão desde as artes às ciências, sem esquecer as Forças Armadas. Em 2012, uma equipa técnica1 composta por personalidades de reconhecido mérito público, oriundas das mais conceituadas instituições de ensino e investigação, especialistas nestas temáticas, elaborou uma aprofundada ponderação e avaliação do modelo existente e apresentou conjunto alargado de recomendações que levou à reorganização de todo o universo dos estabelecimentos militares de ensino. Nesse sentido, concluiu como mais adequado na atualidade a integração das valências do IO no Colégio Militar. Desta forma e após um processo de integração, a partir do ano letivo de 2015/2016, todo o ensino regular ficará integrado no CM, resultando no encerramento do IO. Instituto dos Pupilos do Exército O IPE foi criado pelo insigne militar, Coronel António Xavier Correia Barreto, a 25 de maio de 1911, na sequência da implantação da República. A conceção do Instituto é fortemente influenciada pelas novas ideias do final do século XIX, o também chamado século da educação, nomeadamente pelo Positivismo e pela “Escola Nova”. Nomes de reconhecido mérito em Portugal e na Europa, como Bernardino Machado, Faria de Vasconcelos, Adolfo Lima e do Padre António Oliveira acabam por influenciar o modelo desta Escola e a sua matriz pedagógica de cariz essencialmente experimental e prático. As correntes de pensamento emergentes neste período levam à sobrevalorização das disciplinas de cariz científico experimental e à eliminação do dogmatismo, da retórica e do classicismo: o conhecimento das coisas sobrepõe-se ao jogo das palavras, o ensino profissional conquista o lugar que lhe é devido, à semelhança do que já se passava no centro da Europa. A Educação passou a ser encarada de uma forma holística, fazendo nascer o ensino integral: não importa apenas a formação académica mas também a formação de cidadãos úteis à comunidade. É assim que o IPE tem desde a sua fundação uma grande preocupação social, nomeadamente com a necessidade de se constituir como um elevador socioeconómico. O lema do IPE “QUERER É PODER” nasce da preocupação de assegurar a mobilidade social vertical e o desígnio “Criar Cidadãos Úteis à Pátria” decorre do ideário Republicano. Depois de passar por diversas reestruturações nos últimos 100 anos, o IPE procedeu em 2010 à sua última grande reforma com a admissão de alunos do sexo feminino para o ensino básico e secundário e com a reintrodução da vertente profissional. 1 Nomeada através pelo despacho n.º 5588/2012, de 11 de abril


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