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A Defesa de Portugal 2015

A DEFESA DE PORTUGAL 2015 / Outros contributos da e para a defesa nacional 241 6.5.2. AS CAPACIDADES DE APOIO SANITÁRIO As capacidades de Apoio Sanitário das Forças Armadas constituem uma reserva para situações de catástrofe e calamidade e outras ameaças não-convencionais à Saúde Pública. Por outro lado, as múltiplas atividades da estrutura de base da Saúde Militar, nomeadamente através da atividade clínica dos extintos hospitais militares, HFAR e Centros de Saúde contribuíram ao longo dos últimos vinte anos para os objetivos do Serviço Nacional de Saúde proporcionando assistência médica ao universo da família militar e promovendo elevados padrões de atendimento e de prestação de cuidados médicos. Estas unidades de saúde fixas do Exército constituíram durante este período uma reserva de capacidade de internamento e de prestação de cuidados médicos de apoio ao SNS em caso de catástrofes e calamidades. 6.5.2.1. CAPACIDADES DA SAÚDE MILITAR As necessidades operacionais das FFAA, ao longo das últimas décadas, têm determinado a implementação de programas de desenvolvimento de capacidades da Saúde Militar nas áreas de prestação de cuidados médicos em campanha e da Defesa Nuclear Biológica e Química, que têm tido em atenção o seu potencial emprego em apoio das autoridades sanitárias nacionais. Neste âmbito, relevam-se as capacidades instaladas no Hospital de Campanha e nos laboratórios do Exército. O emprego do Hospital de Campanha, no período de setembro de 1997 e dezembro de 1998, no contexto da Missão de Observadores das Nações Unidas em Angola (MONUA), associado a um programa de aquisição de equipamentos nos últimos dez anos, assegurou ao Exército uma capacidade operacional móvel única no País, com valências cirúrgicas e de cuidados intensivos, disponível para operar no território nacional, quer em apoio de operações do Exército e das Forças Armadas, quer em apoio das autoridades sanitárias e de proteção civil. No que respeita aos laboratórios, o Exército registou na última década um assinalável progresso nas áreas da Toxicologia e da Defesa Biológica e Química particularmente, no que diz respeito à pesquisa de substâncias ilícitas e a aspetos de deteção e identificação de agentes biológicos e químicos, mas também no âmbito das metodologias de proteção individual e de descontaminação. Esse progresso tem-se materializado na operacionalização e desenvolvimento de capacidades no Laboratório de Bromatologia e Defesa Biológica (LBDB) e no Laboratório de Toxicologia e Defesa Química (LTDQ), que têm sido disponibilizadas para apoio do SNS, designadamente na resposta à ameaça biológica ou química, quer esta seja de origem natural, acidental ou intencional. O LBDB, inaugurado no dia 13 de fevereiro de 2006, no âmbito da sua missão de implementar e desenvolver metodologias para a deteção, identificação e estudo de agentes microbiológicos passíveis de serem usados em atos de guerra e terrorismo, em 2014, colaborou ativamente com as autoridades sanitárias na área da biossegurança na elaboração das Orientações Técnicas da Direção Geral de Saúde (DGS) sobre o vírus Ébola, relativas à proteção individual, descontaminação e segurança laboratorial e na disponibilização das suas equipas avançadas, em apoio da DGS, no caso de surgimento de doença por vírus Ébola no território nacional. O LTDQ, que se encontra equipado com meios técnicos de referência na área da toxicologia, internacionalmente reconhecidos como os mais adequados para a triagem e a confirmação da presença de drogas de abuso na urina, tem colaborado ativamente com o Ministério da Saúde, na área da prevenção e combate à droga e ao alcoolismo e contribuído para a prevenção dos comportamentos aditivos e para a diminuição das dependências no país. Essa


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