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A Defesa de Portugal 2015

204 5.2.4. DEFESA E SEGURANÇA NA EUROPA A Europa tem vindo a enfrentar uma grave crise financeira desde 2006, o que afetou negativamente o setor da Defesa e Segurança, colocando em risco tanto as capacidades das suas forças armadas como a competitividade da Base Tecnológica e Industrial de Defesa (BTID). Em 2012, a despesa total com a defesa da União Europeia sofreu uma redução de 1,1 mil milhões de euros em relação a 2011, atingindo o valor mais baixo desde 2006. Entre 2006 e 2012, houve uma redução de 49% nos gastos com investigação e desenvolvimento (I&D) na União Europeia, tendo-se registado a maior queda de 2011 para 2012. Atualmente, os Estados-Membros dispõem de cerca de metade dos recursos disponíveis para novos programas de investigação. O diferencial entre os Estados Unidos da América (EUA) e a Europa em termos de despesas de I&D aumentou ainda mais, sendo agora sete vezes maior no lado americano. Há sérias dúvidas sobre a capacidade da Europa para produzir a próxima geração de capacidades militares. Simultaneamente, estima-se que os países emergentes, nomeadamente os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), concorrentes da Europa, invistam em investigação e tecnologias de defesa 2,5 vezes mais do que a União Europeia. Esta situação poderá ter efeitos muito negativos na segurança europeia. A indústria de defesa, com um volume de negócios de 96 mil milhões de euros (dados de 2012), não deixa de ser um importante sector industrial, criador de inovação e focado em engenharia e tecnologias de ponta, com importantes efeitos colaterais positivos noutros sectores da economia europeia, facilitando o seu desenvolvimento e crescimento. O desafio coletivo da Europa é encontrar formas de manter uma forte base industrial capaz de desenvolver capacidades futuras a preços competitivos. Isso só pode ser alcançado através da cooperação e de uma abordagem coordenada da mudança em curso no cenário industrial europeu. A Europa tem que enfrentar a realidade da fragmentação do mercado europeu de defesa e apoiar o investimento contínuo em ID&I, maximizando as sinergias entre programas civis e militares de modo a garantir o uso mais eficiente dos recursos. Os Estados-Membros, Portugal incluído, estão plenamente conscientes disso e estão conjuntamente comprometidos com o fortalecimento da cooperação no âmbito da defesa europeia, das capacidades militares e da BTID europeia.


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