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O Forte de São Julião da Barra 
 
 

No enfiamento da costa que contorna o estuário do Tejo, sobranceiro ao local onde o rio se reencontra com o mar, ergue-se em Oeiras o poderoso Forte de S. Julião da Barra.

 

Ao longo do século XIV a cidade de Lisboa impôs-se como capital do reino. Portugal tornou-se decididamente uma força marítima e, progressivamente, graças às condições geográficas de localização e capacidade dos seus portos, um dos principais elos de ligação entre o Mundo Mediterrâneo e o Mar do Norte.

A distância aos principais centros de conflito europeus, assim como o domínio marítimo português na área das suas costas, salvo em momentos muito pontuais, não justificou a construção de especiais defesas nas suas principais barras, como era o caso da barra de Lisboa. Embora a partir dos finais do século XIV se assista a introdução da artilharia, que inicialmente era dirigida para o artilhamento dos navios, só em momentos de crise política, se passa a dirigir para a defesa da costa e necessária construção de fortificações em terra.

Decorria o ano de 1549 quando D. João III criou o cargo de Mestre das Obras de Fortificação do Reino, lugares d`Além e Índias, que veio a ser confiado ao renomado arquiteto Miguel de Arruda, responsável por diversos complexos fortificados no ultramar português. D. João III, a pedido de seu pai D. Manuel I e a impulsionado pelos conselheiros militares, pretendeu edificar uma fortificação junto à confluência das barras Norte e Sul do rio Tejo.

Em 1553 o soberano fez iniciar as obras do Forte da Ponta de São Gião, com o objetivo de criar uma fortaleza moderna, de defesa marítima do porto de Lisboa, junto à foz do rio. Assim, a defesa do porto de Lisboa passaria a ser constituída por um complexo defensivo integrado pela Torre, depois Forte de São Lourenço do Bugio, num banco de areia a meio da foz, com quem cruzava fogos, fechando a barra do Tejo, complementado pela praça-forte de Cascais, como guarda avançada na margem direita da foz e pelas Torre de Belém (margem direita) e Torre Velha da Caparica (margem esquerda), como defesa última do porto de Lisboa. Em 1568, a estrutura era dada como concluída. Obras complementares, entretanto prosseguiam ainda em 1573, quando nas masmorras eram detidos aqueles que aguardavam degredo, ocupados em trabalhos forçados nas obras da própria estrutura.

No ano de 1580, as tropas do Duque de Alba invadiram a capital, cercando por terra o Forte de S. Julião da Barra, ao fim de 5 dias de cerco D. Tristão Vaz da Veiga entrega a fortificação. Devido à vulnerabilidade defensiva, D. Filipe II mandou executar grandes obras de ampliação, acrescentando ao plano inicial dois baluartes. Procedeu-se a correções no traçado do fosso, erguerem-se novas baterias, ampliou-se as defesas do flanco oeste. No conjunto, estas obras transformaram o Forte de S. Julião da Barra na maior e mais poderosa fortificação do reino de Portugal, à época. No mesmo período as instalações da fortificação passaram a ser utilizadas como prisão política do Estado português, que se manteve nos séculos seguintes até à 1ª República.

No momento da Restauração da independência, o Forte de S. Julião da Barra sofreu ainda um novo cerco, agora pelas tropas leais ao Duque de Bragança. D. Fernando Cuevas, em dezembro de 1640, entregou a fortaleza portuguesa em troca de substancial recompensa. Sob a regência de D. João IV, ordenaram-se novas obras devido a deficiências no sistema defensivo. A fortificação sofreria ainda obras de recuperação e de ampliação, causadas pelo terramoto de 1755.

No início do século XIX, as tropas francesas, sob o comando do General Junot, invadiram Portugal. A vila de Oeiras e S. Julião da Barra, foram transformadas em quartel-general das tropas de ocupação francesas, enquanto a barra do rio Tejo era bloqueada pela marinha inglesa. Em setembro de 1808, após a Convenção de Sintra, a bandeira inglesa substituiu a francesa no mastro da Torre de S. Julião da Barra. Um ano mais tarde, o Forte foi devolvido à administração portuguesa. Durante este período, a fortaleza continuou a ser usada como prisão política, um dos seus mais famosos ocupantes foi o General Gomes Freire. Executado em 18 de outubro de 1817, acusado de suposto envolvimento numa conspiração contra a presença inglesa.

A fortaleza chegou aos meados do século XX num estado mais ou menos caótico, quer pelas inúmeras construções precárias nas esplanadas dos baluartes, quer pelo abandono a que então todo o conjunto tinha ficado sujeito. Com a entrada de Portugal na OTAN, era necessário encontrar soluções em termos de segurança, no respeitante a visitas de altas patentes militares e chefes de Estado. O Forte de S. Julião da Barra, durante os anos de 1949 e 1950, sofre novas obras, sendo desclassificado como fortificação militar. Torna-se local de receção e pousada de visitantes ilustres ligados ao Ministério da Defesa. A antiga cisterna, dada a sua capacidade e singularidade, passou a ser utilizada para acolher eventos. Atualmente, mediante marcação, é possível visitar o Forte de S. Julião da Barra.

Atualizado em: 15-11-2012 22:20 
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