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NATO deve adoptar uma perspetiva de 360 graus a leste e a sul 
 
 
Ministro da Defesa Nacional defendeu a necessidade de a NATO adotar uma “perspetiva de 360 graus”, tanto a Leste como a Sul.
 

Durante a conferência A Cimeira da NATO em Varsóvia e o novo ambiente de segurança internacional, que decorreu esta quinta-feira na Sala do Senado, na Assembleia da República, o Ministro da Defesa Nacional defendeu a necessidade de a NATO adotar uma “perspetiva de 360 graus”, tanto a Leste como a Sul, através de uma definição dos “seus campos de intervenção relevantes para a garantia da paz regional e da continuidade das nossas sociedades como espaços abertos, plurais, diversos, que garantam aos nossos cidadãos os seus direitos fundamentais”, sempre com “legitimidade das atuações”.

Azeredo Lopes referiu também, na sua intervenção, que a “principal expetativa” da Cimeira da NATO em Varsóvia é a transmissão de uma “mensagem de firmeza e dissuasão”, mas que “se venha a traduzir num acordo que responda à ameaça sentida por parceiros como a Polónia, Estónia, Lituânia e Letónia”, bem como a “Bulgária e a Roménia”. O ministro da Defesa Nacional referiu que “Portugal continuará a defender a ponderação e o equilíbrio” e que, em Varsóvia, “pugnará” para que “não se esqueça o flanco sul” em linha com “Espanha, Itália e França”.

A propósito da Ciberdefesa, e tendo em conta que Portugal irá acolher a Escola da NATO e Comunicações e Sistema de Informação também na “vertente de formação e treino”, Azeredo Lopes referiu que espera “resultados promissores da mesma Cimeira”, designadamente a “consolidação do ciberespaço como um ‘domínio operacional’, para além da terra, mar e ar”.

Numa reflexão sobre a evolução da Aliança Atlântica e do ambiente de segurança atual, o Embaixador junto da NATO, Luís Almeida Sampaio, sublinhou como a organização é “fundamental num mundo em desordem”. Para o Embaixador, “a NATO é a casa da relação transatlântica” e tem sido “o lugar privilegiado” desse diálogo.

O Secretário-Geral Adjunto da NATO, Alexander Vershbow, na sua intervenção, destacou também a importância da Aliança Atlântica “manter uma visão e uma perspetiva de 360 graus” face às diversas ameaças e desafios que a nova ordem internacional apresenta “em termos de segurança”. Alexander Vershbow referiu que a Europa está dividida e que, a respeito da Rússia, a “NATO está firme”, acrescentando, porém, que não se pretende “uma Guerra Fria nem uma corrida ao armamento”.

Para Alexandert Vershbow, as capacidades marítimas são essenciais na abordagem de 360 graus e “Portugal tem sido muito influente” no domínio marítimo. O responsável da aliança sublinhou o papel português no combate à pirataria na Somália e na preservação da livre circulação, apesar de ainda haver trabalho a fazer, nomeadamente no Mediterrâneo.

O Secretário-Geral Adjunto apontou também o norte de África como um cenário a ter em conta, a necessidade do reforço da presença no Báltico e no Mar Negro, bem como a ameaça dos ciberataques, o que tem provocado novos desafios para a NATO. A propósito dos flancos sul e leste, Alexander Vershbow referiu que é “fundamental ter uma vizinhança estável”, com base numa política de projeção de “estabilidade”.

Considerando que a “abordagem a 360 graus” deve ser feita sem a duplicação de meios, o Secretário-Geral Adjunto da NATO adiantou que trata-se agora de “gastar mais e melhor”, tendo para o efeito sido solicitado aos Países-membros da NATO um aumento da percentagem dos seus PIBs para a área da Defesa, o que já terá acontecido em Portugal.

Antes de terminar, Alexander Vershbow adiantou ainda que é objetivo da NATO expandir a cooperação com a União Europeia, um assunto que será naturalmente abordado na Cimeira da NATO que terá lugar em Varsóvia, nos próximos dias 8 e 9 de julho.

 

Intervenção do Ministro da Defesa Nacional, José Azeredo Lopes  (PDF, 12 Págs)

 

Atualizado em: 03-08-2016 14:58 
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