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Ministro da Defesa Nacional sobre os 70 anos: “Um mundo sem a NATO seria um mundo em que Portugal estaria muito mais inseguro” 
 
 
O Ministro da Defesa Nacional, presidiu à conferência “70 anos da Aliança Atlântica: da defesa coletiva à gestão de ameaças (in)comuns”, no ISCTE-IUL
 

O ministro da Defesa Nacional português definiu como um dos desafios para a NATO saber sair do Afeganistão e do Iraque sem pôr em causa a estabilidade daquelas regiões, conseguida na última década e meia.

“Se a saída não for feita de forma prudente, cautelosa, olhando para todos os aspetos que põem em causa a estabilidade naquele país, rapidamente poderemos ter no Afeganistão um foco de instabilidade que afetará toda a região, ou como nós vimos em 2001, pode afetar qualquer parte do globo”, destacou Gomes Cravinho.

Partindo da análise do percurso histórico da NATO, o Ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, o orador principal da conferência com o tema “70 anos da Aliança Atlântica: da defesa coletiva à gestão de ameaças (in)comuns”, que teve lugar no ISCTE-IUL, abordou os desafios que atualmente se colocam à Aliança, destacando também a sua importância na segurança de Portugal: “um mundo sem a NATO seria um mundo em que Portugal estaria muito mais inseguro, nesse sentido, todos os nossos esforços políticos e militares relacionados com a salvaguarda e a consolidação da NATO são muitíssimo importantes”.

João Gomes Cravinho sublinhou as razões que suportaram a continuidade da Aliança firmada há 70 anos, por oposição à linha de pensamento que depois do fim do Império Soviético e da queda do muro de Berlim, considerava não haver motivos para a existência da NATO.

O titular da pasta da Defesa destacou a necessidade sentida pelos países membros, os Aliados, de continuar a ter a proteção da NATO: “não havia naquele momento uma noção de ameaça iminente, mas a memória histórica era profunda e obviamente que o famoso artigo 5ª da NATO oferecia um grau de segurança que não era possível ter por outra via”.

A partilha de um conjunto de valores entre os Aliados, como a democracia e as liberdades individuais, assim como as novas missões da NATO, também contribuíram para a sua continuidade e reinvenção: “tarefas como a manutenção de paz, o combate ao terrorismo, o combate a armas de destruição maciça deram um novo alento, uma nova vida à organização”, destacou João Gomes Cravinho.

Por outro lado, as missões desenvolvidas fora da área geográfica da Aliança, como nos Balcãs e no Afeganistão, terão induzido à ideia de que o futuro da organização passava por aí, levando a um processo de erosão do grau de preparação e de equipamento da NATO no início deste século. Esta perceção, nas palavras do Ministro da Defesa Nacional, mudou a partir de 2014, quando “(…) novas circunstâncias levaram a Aliança a iniciar um conjunto de mudanças, nomeadamente reforçando a capacidade de defesa dos Aliados no seu território, reforçando a capacidade de combate às ameaças no ciberespaço e apostando na resiliência dos sistemas”.

“Estamos a assistir, desde então – acrescentou o Ministro - a um regresso da capacidade da aliança de exercer a sua função primordial de defesa do território dos aliados, agora com novas dimensões e novos desafios”.

 

Desafios Atuais e Futuros

Um primeiro desafio é o de manter o laço transatlântico “forte, estável e previsível”. Enquanto país virado para o Atlântico, Portugal tem um grande interesse na manutenção deste laço, evidenciou Gomes Cravinho: “a nossa segurança está fortemente relacionada com o Atlântico e com o laço transatlântico. Temos, portanto, um interesse profundo no relacionamento transatlântico e compete-nos trabalhar para evitarmos ruturas e tensões nessa relação”.

Em segundo lugar, o Ministro abordou o desafio do relacionamento NATO-União Europeia, onde deve existir complementaridade. “Relativamente à natureza das missões a desempenhar (…), creio que as duas organizações devem desenvolver um processo de consolidação das mais-valias de cada um, não faz sentido imaginar uma divisão de tarefas estanque, em que por exemplo missões militares caberiam à NATO, e missões civis caberiam à UE”.

O terceiro desafio abordado passa por manter a liderança tecnológica. O Ministro destacou as novas possibilidades no âmbito da inteligência artificial, biotecnologia, robótica, ciberdefesa, computação quântica, áreas que conduzirão a uma revolução em termos de capacidades militares.

“No período da Guerra Fria nós assistimos a uma corrida ao armamento, hoje temos uma corrida à tecnologia e uma corrida também ao desenvolvimento de novas aplicações militares para a tecnologia que se está a desenvolver (…)”, continuou o Ministro.

O desenvolvimento e consolidação da ideia da NATO a 360º é, na opinião de Gomes Cravinho, o quarto grande desafio. A segurança começa longe das nossas fronteiras e a Aliança deve continuar comprometida com a segurança e a estabilidade de regiões que estão distantes do nosso território.

Nas palavras do Ministro, o combate a riscos sistémicos como pirataria, combate à criminalidade no Atlântico, apoio na gestão dos fluxos migratórios no Mediterrâneo, “(…) contribui para evitar a destabilização dos estados na periferia alargada da Aliança e impedir que se tornem refúgios para futuros ataques nos territórios dos países da Aliança”, sendo assim a NATO “(…) um ator relevante em toda a periferia”.

Organizada pelo Grupo de Estudos de Segurança e Defesa do ISCTE-IUL, a conferência “70 anos da Aliança Atlântica: da defesa coletiva à gestão de ameaças (in)comuns” contou também com a presença de investigadores e profissionais que estudam e trabalham na área, com o intuito de refletir sobre o papel atual da NATO num mundo complexo e em constante mudança. 

Atualizado em: 15-04-2019 10:35 
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